Quarta-feira, Julho 15, 2009

PROTESTO

Por cada minuto que passa, centenas de pessoas, habitantes das freguesias de Parchal, Ferragudo e Estômbar, sobretudo, que se deslocam de ou para os seus postos de trabalho, vêem-se forçadas a alterar os seus intinerários numa rota que vai para além dos 9 quilómetros a mais do que se efectuaria caso a ponte metálica sobre o rio Arade estivesse aberta ao trânsito. Isso não se verifica desde Agosto do ano passado (ocasião em que a dita ponte abriu durante aproximadamente um mês para excoar o trânsito fruto do fluxo de turistas nesta região). Antes e depois desse feito, como já foi dito, milhares de pessoas têm vindo a gastar (muito!) mais dinheiro em combustível do que aquele que, em muitos casos, podem.
Posto isto, e com o troço rodoviário acabado há mais de uma semana (desde então, as obras da ponte têm-se baseado em pormenores de acabamento), POR QUE RAZÃO UMA MEGA-FEIJOADA, QUE PODE SER FACILMENTE REALIZADA NOUTRO LOCAL, HÁ-DE ADIAR EM UM DIA A ABERTURA DE UMA OBRA PÚBLICA TÃO ÚTIL?
A questão é simples: o evento é patrocinado pelas autarquias de Portimão e Lagoa, mas isso não implica que a dita jantarada (que, se a uns enche a barriga, a outros vaza o bolso) não possa ser feita num terreno que não seja "neutro", como é a ponte. Ora, havendo tanto espaço (e bem mais próprio para o efeito) na baixa ribeirinha de Portimão, por exemplo, qual a necessidade de se obstruir a ponte? Se os senhores autarcas querem pagar uma feijoada ao pessoal, por que não o fazem num restaurante de grandes dimensões, ou num espaço previsto para a circulação de piões, que não obrigue os cidadãos a condicionarem, ainda que seja por mais 24 horas, as suas vidas? O festejo da abertuda da ponte não seria mais lógico e digno com a ponte a servir para aquilo a que foi construída? Que melhor inauguração pode ter uma ponte do que a circulação sobre mesma?
Para além disso, durante o tempo em que esteve fechada ao trânsito (e aberta aos peões), esteve proibida a circulação de veículos de duas rodas, a menos que fossem transportados à mão. Só hoje, no dia da inauguração, com a ponte cheia de gente, apareceram as autoridades competentes (GNR) com o fim de fiscalizar o cumprimento dessa proibição (desde então violada centenas de vezes por dia, com sentido de impunidade).
O que é que se passa com esta gente?!

Arranhí Ascostasefiqueicomgarronasunhas

Sábado, Julho 11, 2009

Omelete de Chocolate

Sim, a gente sabe que isto aqui anda mal parado. A verdade é que, além da falta de tempo, temos andado a tentar enxotar os alfacinhas e os bimbos e os bifes que vêm pás nossas praias e nem espaço pra estendermos uma toalha nos deixam, os cabrões... Enfim, à parte disso, este ano é ano de festivais de verão, mas não só!
Hoje trazemo-vos os dotes do exímio cozineiro espanhol Victor Perez, na rubrica semanal do programa Bom Dia Manhã, apresentado por Hortêncio Malaquias. Vejam este espectácle, senhoras aí de casa, e aprendam como se faz uma omelete de chocolate.

Sábado, Junho 27, 2009

MC Púçi - Rép du Dãmo Grôço

Apresentamos agora, ao fim de algum tempo de desespero, a última das 3 músicas dos nossos MC's residentes. Esta é protagonizada pelo MC Púçi, já conhecido nas redondezas do nosso gueto por muita gente, principalmente pela sua dama, que tem sido papada por tudo quanto é gajo aí nos últimos anos (e digamos sem hipocrisias que ela, apesar de ser um bocado quenga, é bem boa). Enfim, não digam nada ao rapaz senão ainda desfazemos a sua pseudo fama. Convosco o Rép du Dãmo Grôço, com respectiva letra:

Yo, a rimar nesta strit sempre está o MC Púçi
O damo que come a Cátia, a Joana e a Lucy
E a Rita, a Rute, a Jéssica, toda e qualquer dama
Come no terraço, na strit, no place e até na cama
Porque eu sou um damo que as garinas adoram
Como-as onde eu moro e onde elas moram
Comigo as damas fazem uns gemidos bem sonoros
Comigo é só sexo e nunca vai haver namoros
Porque eu não corro o risco de ser chamado de corno
E até já me convidaram pra fazer um filme porno
Mas eu não pude entrar porque tenho buéda sardas
E também não tenho jeito pra representar de fardas
Principalmente umas que me apertam na cintura
Com aquelas roupas não consigo pôr a pila dura
No entanto, as damas vêm todas atrás de mim
Levam todas na rata e já sabem que é assim
Sempre a esgalhar nas partys e nos arraiais
Só não percebo porqué que elas não voltam mais
Porque eu sou um damo todo cheio do style
Danço kuduro, kizomba, hip-hop e até música de baile.
No outro dia virou-se pra mim um puto que se chama Chico
Disse que eu cheirava buéda mal como um penico
Mas eu cá dei-lhe logo com a minha batarflai
Fiquei de castigo porque o Chico é o meu pai
Mas eu não cheiro a merda, cheiro é a carapau frite
Mas é de andar aí, a comer sempre na street
Nesse bairro undargraund das garinas mais bonitas
Eu sou o MC Púçi conhecido como o Papa Pitas
Neste guetto como as damas e faço graines com a bike
Na street com o BEATáite, o 3Môce e o Mike
Que anda na bike radical sem capacete
Eu corro aí todas as damas mas só amando um foguete
Tipo da passagem dano, porque tenho medo do barulho
Este ano vou pás obras carregar com o entulho
Porque já tenho 20 anos, e embora seja buéda smart
É difícil de gamar o Money aqui e em qualquer parte
Tou no quarto, mas vou pó quinto se não chumbar
Se chumbar não faz mal porque já estou a trabalhar
E assim já não preciso procurar mais emprego
Nas obras tou na stret com um pedreiro que é cego
E com outro que é amigo e ucraniano
Tem a família na Uncrânia, mas vai lá para o ano
Sou o maior garanhão, não sei se já referi
Como todas as garinas porque eu sou o MC Púçi
E na parede lá da skool fiz um baita graffiti
A dizer o meu nome e por baixo love Lily
E o meu tag tá em todas as janelas do autocarro
Porque eu papo as garinas e tenho alte caparro
Que consegui na street a carregar baldes de massa
Ser um gajo bom é a religião da minha raça
E também nas obras consegui estes abdominais
E com os tijolos de onze esculpi estes peitorais
Que estão aqui para agradar todas as damas
Levava todas até ao céu ou a curtir para as Bahamas
E até uma vez uma dama fez-me uma nódoa negra
Eu disse oh garina chupa aqui estes 3 quilos de febra
E ela feita esquisita quase não queria chupar
Mas depois de começar até começou a gostar
E por isso acabámos por gostar os dois
E eu gostei tanto que lhe pedi o número depois
Mas depois ela não deu, e eu fiquei todo lixado
Fiz um graffiti na strit azul e amarelo-torrado
A dizer em letras grandes eu curto bué de ti
Ela perdoou-me e deixou-me lamber-lhe o pipi
Mas passado uma semana ela desapareceu
Tou lixado porque ela nem o número ainda me deu
Não curto nada damas que fazem isso a um damo
Quando ela aparecer, deixa tar que eu logo a tramo
Vai levar logo ali com o meu cinto da Lacoste
Enquanto eu lhe pergunto sua cabra, ondé que foste?
Agora vais levar nesse cu como castigo
Porque eu sou o MC Púçi e ninguém brinca comigo.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Ah e tal...é o estádio do Parchal!

Malta, no outro dia fui ver como andavam as obras do estádio do Parchal. Assim que lá cheguei deparei-me com uma obra que sim senhor. Estou certo de que se lembram das últimas fotos que aqui postei, a dar conta do estado dos trabalhos? Não? ...Pois, isso é porque não as viram, porque andaram por aí a ver sites porno e a fazer downloads ilegais de filmes desses (brasileiros, claro! Ah, como eu vos compreendo...). Bem, seja como for, ao chegar lá abaixo dou de caras com aquilo já quase acabado! Haviam levantado uns holofotes do que se vêem desde a Fóia! O estacionamento, à beira do estádio, já estava sendo usado. As mulheres, que faziam a limpeza e davam os últimos retoques, deixaram-me entrar na pista, onde fiquei apreciando os acabamentos da mesma. Pareceu-me que as medidas estavam bem feitas, no entanto, não ponho as mãos no fogo: só mesmo depois de ir medir aquilo com régua e esquadro. O relvado, esse, ao contrário daquilo que eu pensava, não é artificial: um tapete de relvinha verde e fresca ergue-se ao centro, cheio de vigor. As balizas estavam a ser montadas no preciso momento. Já montado estava o coiso para o atletismo, que serve para executar os lançamentos do peso, do martelo e do árbitro que não roube pró lado do Portimonense. Falando em Portimonense, soube que é o meu clube do coração quem vai inaugurar o recinto desportivo: não podia ter sido entregue tal festa a clube mais digno! Por fim, consegui dissipar as dúvidas sobre qual a forma correcta de escrever Bela Vista. Até então não sabia se era junto ou separado, sabia apenas como se pronunciava e que tinha uma porrada de vivendas lá. Agora sei que essa zona rica do Parchal, além das vivendas dos magnatas do concelho, de uma vista para Portimão lindíssima e de um estádio com capacidade para 1 700 pessoas (fora as que podem ver as competições agarrados às grades que circundam o estádio) e pista de atletismo, se escreve separando o Bela do Vista. Aqui vos deixo as fotografias. Espero que elas venham atenuar a negligência que temos tido para com este espaço, juntamente com a promessa de que para este verão se agendam mais pacarrenhices e que este espaço não está (ainda!) morto. Saudações marafadas!
Arranhí Ascostasefiqueicomgarronasunhas

Terça-feira, Maio 26, 2009

MC BEATáite - A Arte de Fazer um Bit

... Pronto, é verdade, nós sabemos, temos estado (novamente) um pouco ausentes. Mas a culpa é do trabalho (da universidade e do cansaço laboral). Qualquer dia fazemos uma manifestação de quatro pessoas apenas, em casa, sobre os direitos legais do trabalho excessivo, que é para eles verem com quem se metem! E levamos o MC BEATáite e o seu bit só para verem que não andamos cá a brincar. Sim, este mesmo que vai passar cá em baixo. É que ele nas folgas é advogado no CAP (Consultório de Advocacia Penal).





Neste mic rima o MC BEATáite
Põe-te a pau comigo senão vai ter de haver faite

Vou falar mal, injuriar todos vocês
Que têm a mania que rimam e que falam português
Mas não têm vocabulário, nem no balneário
Peguem no dicionário que eu não sou denhum otário
Represento neste mic o Bairro Pontal
Se isto chegou ao teu ouvido podes crer que não foi por mal
A vida custa bué para manos como eu
Que já fiz os 30 anos e não acabei o liceu
E agora trabalho na Alisuper do Enxerim
E já trabalhei num talho mas aquilo não era pra mim
E isso era só o que dizia o pipol meu amigo
Quando éramos pequenos andávamos sempre em perigo
Fugíamos da bófia pelas ruas lá do gueto
E depois eles apanharam-nos, com a bófia já não me meto
E eu tou a fazer este bit com um som que saquei da net
Que é o que fazem todos os manos que não são do jet sete
Vocês aí são todos uns betinhos
Têm place pra dormirem e pra ficarem quentinhos
E não sabem o que é esta vida da street
Vão acabar por serem todos uma shit
E eu sou o maior e eu é que mando neste mundo
E quando vou à beatch consigo nadar até lá ao fundo
E eu não gosto de reciclagem
Isso é uma grande chantagem
Ter de meter o vidro no vidrão
E no azul o papel e o papelão
Isso é cena de putos betos e mimados
E tu pensas que isto é desenhos animados
Mas não, isto é um clip é um filme boy
E levar porrada às vezes dói
Principalmente se for pontapés nas canelas
Mas eu chego a casa e arranco as carapelas
Porque eu sou da street, sou um soldado
Apesar de me baterem eu nunca fico amuado
Porque aprendi a viver a vida e a lutar
E sigo em frente com este beat a rimar
Espera, ainda não usei palavras caras e finas
Vou dizer proeminente pra me fazer às garinas
Sim, porque as damas acham que eu sou cool
E se sou assim é porque nunca fui à skool
Ou vá, até fui um dia ou dois
E tudo o que aprendi já me desqueci depois
Vocês são uns aspirantes e amadores
Não gosto de vocês que têm a mania que são doutores
Será que não precebem cós vossos bits são uma shit?
Ah, merda, já disse shit neste bit, mas shit é uma palavra da strit
Mas não me vou fazer de esquesit, vou dizer shit
Todas as vezes que me apetecer
Porque eu só faço o que eu quiser
Sou o maior e sou o melhor
E de vocês vou guardar sempre rancor
Porque nenhum de vocês presta
Não percebem o hip-hop porque o hip-hop é uma festa
E as minhas rimas é que são umas dicas
E as vossas são palavras de maricas
E o Sam da Kid é um poeta genial
É o maior é o melhor, é o maior de Portugal
A minha rima é uma lição pra toda a gente
E antes de acabar tenho de dizer outra vez proeminente
E que sou de todos os melhor MC
Tás a ouvir puto, isto é pra ti
E é mesmo isso que ou vou sempre dizer,
Ah, porra, mas isso já faz um MC qualquer.

Fazer um bit, onde que tá a arte?
Fiz tudo num minuto, a contar com esta parte.
Não é preciso ser-se muito inteligente
Basta se dizer a palavra proeminente
Mesmo que ninguém saiba o que isso quer dizer
É o que faz um MC qualquer.

Proeminente, consciente, inteligente,
Indecente, justamente, impaciente,
Constantemente, altamente, pretérito presente
Altamente, delinquete, prepotente e etecetra

Quarta-feira, Abril 15, 2009

MC 3Môçe - Rép da Malta Aí da Strit

Hoje por não ser nenhum dia especial vamos colocar um beat do MC 3Môce (lê-se tremoço), um put que não faz mais nada na vida a não ser comer tremoços e fazer beats. Vamos ouvi-lo!



Letra, no caso de alguém quiser, para cantar no karaoke:

Aqui na Margem Sul do Parchal
A vida vai bué mal
E são os amigos que temos
E os amigos que queremos
Que dão pica cada dia
Pir pa strit ao meio-dia
São amigos do coração aos pés
Amigos destes valem bués
São os amigos que é preciso
Pa fazer um improviso
E quitar o móvel a um put
Que se tiver feito brut
Leva co cap da gente os 10
E aí dá o móvel de vez
Pa aprender que na se brinca
Ca gente, ou leva uma trinca
Do meu cãozinho pitbull
Que eu levo sempre prá skool
Onde conheci todo o pipal
Fui ao bar pedir um compal
E tavam lá todos cheios de pausa
Quis logo ser amigo deles por causa
Que(e)e vi que eras um gajo porreiro
Tinhas um style fixe, fostes até o primeiro
Amigo mais que tive bacano
Andavas comigo na skool no 5º ano.

Lembras-te?
Lembras-te?

Partilhava tudo o que podia
Dava tudo o que ele queria
Tipo Money, comida, dinheiro
Porque és o meu amigo verdadeiro
E eu dava tudo, tudo o que tinha era para ti
Darei-te tudo o que tinha era para ti
Desde que vivi aqui em South Parchal
Melhor place de Portugal
Temos tudo o que queremos
Temos tudo aquilo que temos
Que tivemos que gamar bués pa ter
E se temos tamos a merecer
Temos strit e temos tudo
A seguir ao parchal também temos Ferragudo
Onde mandamos com a nossa butterflai
E a bófia nem lá vai
Porque nós somos menores de idade
E somos uns gangsteres de qualidade
Não nos podem dar nos porrada
Ou o meu pai vai a esquadra
E faz lá um cagaçal
Mete os gás em tribunal
E eu venho cá para fora
E faço um bit num quarto de hora
A falar mal da polícia e do país
E dos políticos e do juiz
E de todos esses MCs
Sem ser o beatait e o puçi, etcetera
Amigos do coração
Temos strit pa fumar um canhão
Temos picas que quiseres
Temos ganza que quereres
Temos heroína se trazeres
De resto temos tudo pa te dar
O que não tivermos vai se roubar
Que isso nunca acontece nada
Porque a justiça é uma cagada
Han han

Amigos que tenho andamos semp juntos
Porque na strit se na formos muntos
Tamos mal, sozinho na se consegue roubar guita
Nem caps nem dar porrada, nem papar uma pita

Domingo, Março 15, 2009

O Parchal donde a gente moramos

O Parchal era uma pequena aldeia, ao pé de Portimão, pertencia legalmente a Estômbar (que, por sua vez, pertencia ao concelho de Lagoa), e tinha como principal característica o ter uma porção de fábricas conserveiras. Como a doca do pêxe de Portimão foi construída no lado de cá (ou seja, devia chamar-se doca do Parchal), como se pode ver no mapa de satélite abaixo, ficava mais rápido transformar o pêxe deste lado do rio Arade. Isto tudo sim senhor, até aí aos anos 60. Depois, e eu cá na sei quejête, isso começou tudo a falir e agora o que há é só chaminés com ninhos de cegonha. Até há bem pouco tempo, o Parchal tinha-se tornado nisto: uma vila em franca expansão, desanexada de Estômbar, onde a malta que trabalhava em Portimão vinha viver.


O Parchal d'antes:
(Podes carregar nas imagens se as quiseres ver mais grandes.)
(Os números do mapa de satélite [acima] correspondem às identificações abaixo.)

1 - A ponte do comboio. Arranjaram-na há pouco tempo. Estava toda cinzenta, ficou às cores. Deve ser para combinar com os comboios que agora estão cheios de grafittis.2 - Estação do comboio. Há quem lhe chame estação da CP, estação ferroviária, apiadeiro, mas para quem é do Parchal, aquilo é e será sempre a estação do comboio, onde tem o café onde os drogados se juntam às vezes para jogar um senúcar e beber umas mines. O raio da estação há muito tempo que não é estação: é um apeadeiro. Lá está: onde era para ser uma estação, é um café (e não vende bilhetes, temos de os comprar ao pica). O raio da estação ainda tem o nome de Ferragudo. Quando fizeram aquilo, por alturas de inícios do século XX, não havia praticamente Parchal nenhum e a terra mais perto era Ferragudo. O que é facto é que o Parchal já é Parchal há uma porção de tempo e ainda hoje quando quero ir para o Parchal, tenho de pedir ao pica um bilhete para Ferragudo. Se eu quisesse mesmo ir para Ferragudo, saía na estação do Parchal e ainda tinha de andar alguns 2kms a pé que até me lixava.
Ao lado do "estacafépeadeiro" (chamemos assim à mistura destas 3 coisas) fizeram uma sede para o então criado agrupamento de escuteiros do Parchal, com o número 1256. Até ficou uma coisa bem fêta e, na festa da paróquia, é lá que se faz a festa.

3 - Lidl do Parchal. Palavras para quê? Onde era uma fábrica de pêxe, fizeram um Lidl e a verdade é que a malta do Parchal precisava mesmo daquilo.

4 - Arruamentos e casas. Mais uma catrefada de apartamentos. Agora já estão praticamente todos feitos, como demonstra a foto.

5 - Pavilhão Desportivo Prof. Manuel Ferraz. O Stor Manel Ferraz era o presidente do conselho directivo da escolha C+S Rio Arade (que fica... no Parchal). Fumava muito, deu-lhe qualquer coisa e morreu. E assim ficou este pavilhão desportivo com o nome dele. Diga-se que é uma bela infra-estrtutura que recebe jogos oficiais regularmente.6 - Urbanização Encosta do Pateiro. O Pateiro (nome que homenageia o guarda-redes do Sporting, Rui Patrício) é uma das 3 zonas do Parchal (a saber: Parchal; Bela Vista e Pateiro). Antes havia só um bairro, agora, do outro lado da EN125, fizeram mais um. Já está acabado há alguns 2 anos.

7 - O bairro da CHE Lagoense. CHE não é nenhuma homenagem ao Guevara, quer dizer Cooperativa de Habitação Económica. Os bairros do Pateiro também são da CHE e os da Bela Vista tambem. Este é mesmo o original, o do Parchal, construído nos finais da década de 80 para trazer malta para a freguesia, agora tem mais pinta de bairro social que outra coisa. É nos suburbios do bairro da CHE Lagoense que se junta a malta mais underground para praticar o bulying e o fumating drugs. Quase uma Cova da Moura à algarvia. Ponham-se a pau antes de lá entrarem...



O Parchal d'agora:
(Podes carregar nas imagens se as quiseres ver mais grandes.)
(Os números do mapa de satélite [acima] correspondem às identificações abaixo.)

1 - A Ponte-velha (é assim que chamamos à ponte que, desde 1876, une o Parchal a Portimão) está agora a ser arranjada. Ou seja, está encerrada ao trânsito. Só passam lá pessoas e motas e bicicletas. Mas, porque os estrangeiros são mais gente do que nós, todos os verões, quando eles vêm cá de férias, abrem a ponte. É uma maravilha.
Enquanto aquilo está fechado, a malta que vive no Parchal e em Ferragudo, tem de ir dar uma volta de 9kms pela Ponte-nova, onde levamos com o perfume da ETAR de Portimão, antes de chegarmos ao hospital.

2 - Rotundas. Fizeram algumas 6 e já estão a fazer outra na entrada para o bairro velho do Pateiro. Como se vê pelo mapa de satélite, acima, quem entra no Parchal vindo da Ponte-velha encontra agora uma rotunda para servir quem quer entrar na lota, outra para quem quer entrar no LIdl, (que é esta que aparece na imagem) outra para quem quer entrar no bairro da CHE (na mesma imagem, onde estão os primeiros semáforos) e mais uma porção delas a caminho de Ferragudo, para a malta que vai para o Pavilhão do Arade andar com a cabeça à roda.

3 - O E.Leclerc do Parchal. Separado do Lidl por apenas uma rotunda. Igualmente construído numa antiga fábrica do pêxe. Serviu para dar emprego a muita malta que, assim, tem mais fontes de rendimento para comprar substâncias ilícitas (ou drogas, vá).
Esta imagem mostra essencialmente parte da fachada do hipermercado e, na frente, um animal... puxado por outro.

4 - Pavilhão do Arade. É um centro de congressos onde só vai malta fina. Tem todos os luxos. Uma obra patrocinada por uma porção de autarquias que, até agora, só recebeu a cerimónia da inauguração. Tem estado sempre às moscas.

5 - Cemitério do Parchal. Antigamente, a malta que vivia no Parchal tinha de ir morrer a Estômbar ou a Lagoa. Agora estão a construir um cemitério no Parchal, a seguir ao Pateiro. Não vejo a hora de ver aquilo estreado, cheio de gente morta!

6 - Complexo Desportivo da Bela Vista ou, como a malta gosta de lhe chamar, Estádio Olímpico do Parchal. Ainda está em construção, mas, como já aqui mostrámos, será uma infra-estrutura cheia de gabarito: relvado sintético, pista de atletismo, bancadas cobertas, etc. ... O que acontece é que, há pouco tempo fui ver como andavam as obras daquilo e o que vi fez-me alguma espéce: à volta do estádio puseram umas redes de arame. Ora, qualquer um que se assome à rede vê o que se passa no relvado. Que sentido é que isto faz? Sabe-se que o Parchal não tem nenhuma equipa profissional, mas isso não impede aquele estádio de, um dia, receber um jogo oficial a pagar. Mas com esta magnífica rede, as gentes do Parchal podem assomar-se à rede e ver o jogo à borla. Vêem de pé ou levam um banquinho e uma merenda e passam uma tarde desportiva que é um mimo.


E pronto, este é o Parchal donde a gente moramos. É uma terra como as outras, com a particularidade de ficar no Algarve, o que faz dela uma terra melhor que as outras. No Parchal não há praias, mas elas não ficam muito longe. No Parchal não há polícias, mas os assaltos e tráficos acontecem de noite, quando toda a gente está a dormir, por isso, 'tá-se bem. No Parchal não há muita coisa, mas há os Arranhí Pacanherra, uma malta fixe que mostra a sua fixice ao mundo inteiro.
Se algum dia algum de vocês passar por cá, lembrem-se da gente, digam qualquer coisa com antecedência. Com sorte, ainda têm a oportunidade de nos conhecer pessoalmente (o que não sei se é bom ou se é mau?...). Vivó Parchal!


Arranhí Ascostasefiqueicomgarronasunhas

Segunda-feira, Março 09, 2009

16ª Fêra dos Enchides


Essa coisa que é a Fêra dos Enchides, toma-nos o espírito uma vez por ano, por alturas do mês de Março. Este ano não foi diferente. De maneiras que a gente gasta-se uma tarde do fim-de-semana naquelas paragens, cheirando e provando as maravilhas degustativas que por lá andam. Eu cá, influenciado pelos inúmeros outdoors que o Carlinhes Tuta andou a espalhar por esse Portugal fora, fui lá de novo, à procura de ver uma banda de fado que é a Diolinda.
Era só gente naquele desterro: onde havia campo p'ra meter um carro, era um carro que estava lá. Onde havia bucho p'ra meter um naco de morcela, chôriça, farinhêra ou mólhe, era isso tudo que estava no bucho. De maneiras que, após ter comprado numa barraquinha de lá uma meia dúiza de pães com chôriça, fui abordado por uma malta castiça, que vendia nessa mesma barraca, e que se dizia "fã dos Arranhí Pacanherra". Sinceramente, não sei se fiquei mais surpreendido pelo facto de eles terem conseguido pronunciar o nome correctamente ou se pelo facto de serem nossos fãs. Surpreendido e contente: sabiam de cor mais squétes que a minha frágil memória se dignara a guardar:
- Pssst, pssst!! Olhe, escute, pssst!! - Eu olhei. - Você não é daqueles rapazes que fazem os Arranhí Pacanherra? - E foi aqui, neste momento que senti simultaneamente orgulho em ser tão parvo e vontade de ir à casa de banho fazer contas ao almoço.
- A gente gosta muito do vosso trabalho!
- Vocês são melhores que os Gato Fedorento!
- Você pode assinar-me aqui este baralho de cartas que fui pedir ali à barraquinha da Caixa Agrícola? - Foi a primeira vez que alguém me tratou por você, com o respeito que uma personalidade ignorada merece.
- Bora aí fazer um encontro de basofes?
- Hee, é buéda fixe aquele do cigano a conduzir... - Diziam-me eles ao mesmo como se estivessem numa sala de aula a pedir para sair mais cedo.
E enquanto eu dava o dito autógrafo, dizia-me um deles (o senhor António Ramos) que no seu programa de rádio dos domingos de manhã, na Rádio Fóia (que, diga-se, é a voz mais alta a sul de Portugal), tinha falado de nós. Fiquei perplexo e sem saber o que dizer. Shô António Ramos, parece que vocêa gosta tanto dos Arranhí Pacanherra quanto eu gosto dos seus pães com chôriça.
Posto isto, hoje somos um pouco mais internacionais. O concerto da Diolinda foi o menos importante: ela dança bem, canta bem, é gira, vende milhares de discos, mas nós é que passámos na Rádio Fóia sem sabermos. Diolinda, vê lá agora se fazes melhor!!

Arranhí Ascostasefiqueicomgarronasunhas

Domingo, Março 01, 2009

Os velhos caquenhos do Parchal

Há uma cambada de velhos caquenhos, indignados com a vida, oriunda do Parchal que discute a sua caquenhice ora nos bancos de jardim, ora nos terraços das casas altas, como é o caso de hoje. Estão sendo entrevistados para o programa Bom dia Manhã, por Hortêncio Malaquias e explicam tudo o que está ao seu redor. Ora as zonas dos drogados, ora as zonas das fábricas velhas, ora as zonas das fábrias velhas onde agora os drogados se drogam... Sabem tudo, eles, mas são caquenhos c'mó caraças!!

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

Anda Cómig

Já alguma vez ouviram falar no Dia dos Namorados? E nunca sabem o que oferecer ao vosso cônjuge quando chega este dia? Então aprendam esta magnífica canção, a primeira totalmente escrita e composta em algarvio, de cariz romântico, que fará certamente as gajas malucas, interpretada pelos Arranhí Pacanherra, num trio de cordas ao ar livre:

Letra:
Naquel dia olhê pra ti
E fiquê lóg aparvalhád.
Tive dir lóg até ali
Pa despairecer um bucád.

Fui à rua ganhar coragem
Pa conseguir ir ter contig
Porque tu és uma paisagem
Com flor de amêndoa e de fig.

Preguntê-te s’eras soltêra
E tu dissestes-me que sim.
Fiz esta música purrêra
Pa saber se gostas de mim.

Mé Dés do céu és même boa
E tamém és buéda gira.
Pensand em ti tô semp à toa
E o meu olhar até revira.

Anda cómig até além,
Que eu levo-te a casa despois.
Compro-te um pastel de Belém
Pa dividirmos entre os dois.

Sou pobre como tu já viste,
Mas tenho muito amor pra dar.
Toma este cruassante miste,
Até posso pô-lo a tostar
Por ti… faço tudo por ti.
Prálém de seres boa e bonita,
És simpática e inteligent,
Tens um cabelo bué catita
E um sorriso Pepsodent.

Vê também que eu sô bom moço:
Na fumo, na bebo nem tou na droga,
Tenho cócigas no pescoço,
Sou do Benfica e já fiz yoga.

Gosto de ti mesmo bués.
Posso ser o teu samurai.
Gosto tanto que se quisés
Posso ir falar com o teu pai.

Mas eu sou um bocado lento
E é normal que não me queiras.
Tenho um emprego pachorrento:
Entrego a Dica às quartas-feiras.

Mas vem cómig até além
Peu te mostrar que valho a pena.
Sem ti eu sou um Zé-ninguém,
Contigo sou o Ayrton Senna.

És a mulher da minha vida,
Faço tudo pra te merecer:
Passo a ferro e faço comida
E até posso falecer
Por ti… faço tudo por ti.